Sem desculpas, sem limitações…

O surf tal como entendemos, envolve um trabalho específico fora das ondas. Um trabalho centrado no fortalecimento muscular e no ganho de força. Sendo eu, uma pessoa com uma deficiência, este trabalho reveste-se de uma importância extrema e de um cuidado especial para não agravar a condição física. Contudo, a única limitação que tenho sou eu mesmo, e é com muita motivação que faço “costas” com 60 kgs. Sinceramente, fico um pouco frustrado de as minhas mãos não conseguirem agarrar bem a barra, mas sou uma pessoa com uma deficiência, mesmo quando a cabeça diz que não! Essa condição é-me imposta. Até fora do surf funciono com uma equipa que ajuda a conseguir cada vez mais a sentir que ando em terrenos extremos, sem medos e sem desculpas!!!

Porque nunca nos podemos enganar, afinal o que queres? Qual é o teu objetivo?

Eu já trabalho desde 2014 para um objetivo e sinto-me cada vez melhor, mais motivado, sinto-me grande e envolvido em algo que é maior do que eu! Os treinos têm apertado, dói-me o corpo, sinto cada músculo, mas ao mesmo tempo vejo e sei que vai ser possível!

Em 1995, quando tive o meu acidente, os médicos disseram que ia passar a vida na cama. E todos os dias acordo com estas palavras na cabeça. Digam isso novamente e eu volto a nascer com uma força inimaginável!

Nunca me foquei nos “ses” ou em estereótipos. Eu sei que vai, eu sei que está a ser duro. Mas eu já estou no meu objetivo, pois quem tem objetivos trabalha para si, quem não tem, trabalha para os outros!

Talvez eu não tenha a receita para o sucesso, mas sei que se sonhar grande eu vou fazer grande, e isto não é ser especial, não é ter sorte, é sim muito trabalho e dor! Eu prefiro ser o atleta do que o espectador…mantenham-se focados, mantenham-se apaixonados… falhar não é uma opção!

“O que faço na escuridão, vai levar-me à luz…”

Nuno Vitorino

Obrigado Académica Fitness.

Um pôr-do-sol diferente

Tinha eu uns treze anos e tinha de fazer o caminho a pé da Trafaria para ir surfar à Costa da Caparica, nesse caminho passava pela Cova do Vapor. Muitas vezes olhei para aquela onda com aquele desejo de menino, mas um pouco assustado por ver aqueles triângulos de água onde muitos surfistas viveram o seu sonho!

O meu acidente roubou-me aquele desejo de surfar aquela onda… roubou? Não!, adiou!!!

Ontem eu e o meu amigo João André, fomos em busca de ondas e o destino levou-nos ao “sonho adiado”.

Entramos na água sem crowd era umas 16h, timidamente apareceram mais 3 companheiros de ondas que connosco vibraram naqueles triângulos prefeitos.

Partilhei com o João André o sonho, a superação, e o sentimento de estar feliz e de surfarmos até à noite, neste que foi um pôr-do-sol diferente!